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Fontes da metodologia

O método Conscientia foi criado durante um processo que começou na década 1980 a partir de várias fontes como pensadores, cientistas, literatos, militantes e pessoas comuns sempre testando e desenvolvendo o método na pratica. O modo que mais parecia dar resultado concreto que foi consolidado.

O processo da criação do método na sua aplicação coletiva começou na década 1980 em pequemos empreendimentos onde os trabalhadores foram próprios donos. No início de 2000 o desenvolvimento passou ter o foco nas empresas associadas à ANTEAG – Associação Nacional das Empresas de Autogestão.

O processo no âmbito de reforma agraria iniciou no ano 1999 na Cooperativa Agropecuária Vitória – COPAVI em Paranacity, PR. O grande pulso foi o Programa de Acompanhamento das Empresas Sociais da Reforma Agraria – PAES financiado pelo INCRA em 2003-2008.

A experiência foi se alastrando para outras cooperativas (Coopan, Cooperuniao, Coopac, Coopat, Copava, Copatrisul, Coptec, Coopat...) e mais tarde nos institutos de educação do MST, como Instituto de Educação Josué de Castro - IEJC, Instituto Educar e Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia – CEAGRO, Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto entre outros.

Universidade Federal de fronteira do Sul está aplicando o método no Núcleo de Estudos Cooperativistas, Universidade Federal de Paraíba está oferendo um curso extracurricular sobre cooperativismo onde o método conscientia faz parte do fator humano na cooperação.

A seguir, são algumas citações e interpretações de pensadores que afetaram a abordagem ou que tenham pensamentos similares.

Hipócrates (Grécia, cerca de 460-370 aC.), considerado o pai da medicina, disse que a saúde é a harmonia interior do homem e a harmonia entre ele e seu entorno; ser saudável significa se tornar consciente de seus conflitos e viver sob as leis da natureza. A mesma idéia, quase, expressa por François Voltaire (francês, 1694-1778): "A arte da medicina é tranquilizar o paciente, de modo que a natureza possa curar a doença."

Sócrates (Grécia, cerca de 470-399 aC.) acreditava que a verdade existe no interior da pessoa. O papel do filósofo é agir como parteira, ajudando no processo de nascimento do conhecimento (conscientização) através de um diálogo com perguntas. Para Sócrates uma questão básica de vide é “Conhece a ti mesmo.”

Segundo Platão (Grécia, cerca de 428-348 aC.) não podemos confiar em nossas mentes, mas podemos confiar no que a razão nos diz, já que a razão é a mesma para todas as pessoas. Ele teve a percepção de que os seres humanos têm contato com a verdade universal por algum tipo de senso ético, que ele chama de razão.

Aristóteles (Grécia, 384-322 aC.) descreveu Deus como ato puro, isto é, infinitamente intensa ação (criação) em bondade, verdade e beleza. Dentro do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo é crença que os seres humanos foram criados à imagem de Deus. Assim sendo a essência humana é ação pura, mas com limitações humanas. Na medida em que o homem age de maneira "pura" (sendo verdadeiro, belo e amoroso), ele é si mesmo, em outras palavras o que é criado para ser.

Agostinho (Império Romano, 354-430) considerou que o mal é a ausência de Deus. O mal não tem existência por si.

Tomás de Aquino (italiano, cerca de 1225-1274) tentou conciliar a filosofia aristotélica e a doutrina cristã. Aderiu a idéia de Aristóteles de ver a verdade como um ideal de felicidade.

Sören Kierkegaard (Dinamarca, 1813-1855), assim como Karl Jaspers (alemão, 1883-1969) diziam que a existência humana é definida por algo que ultrapassa a vida finita, concreta. Os seres humanos relacionam-se consigo mesmos através do relacionamento com o corpo (o sentido da vida, Deus) transcendental (metafísico). O existencialismo acredita que o homem é livre para escolher, ele é responsável por suas escolhas e sente o impacto em diferentes níveis. A mente ética, consciência, existe para nos fazer ver nossas intenções e escolhas erradas (como Sócrates e Platão diziam). Todas as escolhas têm o objetivo basicamente no metafísico, isto é, além da existência material, a vida após a morte. A essência existe por si só, a existência é uma deturpação, uma consequência das escolhas humanas.

Fiódor Dostoiévski (Rússia, 1821-1881) escreve que a ação do homem justificada é muito mais complicada e ambígua do que podemos compreender. Os seres humanos têm a capacidade de alimentar sua alma com os mais altos ideais e as intenções mais pervertidas – simultaneamente e acreditando em suas boas intenções. Ele também escreveu que sem um coração puro, não existe uma consciência perfeita.
Sabemos muito sem notarmos isso (intelectualmente), apenas pelo sentimento. A verdade não vem fora de você, mas dentro de você, submeta-se a isso. Temos que amar tudo para descobrir o mistério de Deus em tudo.

Anton Makarenko (1888-1939), o pedagogo russo inspirado por Maxim Gorki (russo, 1868-1936) desenvolveu uma linha de educação e pedagogia própria. Ele enfatiza ser o prejudicial para uma criança viver e se acomodar em uma vida ociosa e sem propósitos. Fundou colônias para jovens criminosos com os princípios de cura baseados no afeto, respeito, regras claras, cooperação e democracia.

Logo terapia (ou análise de existência) visa, de acordo com seu fundador, Viktor Frankl (Áustria, 1905-1997), essencialmente na responsabilidade. Em seu livro Deus e a inconsciência - psicoterapia e religião, ele escreve que a existência é uma vida com responsabilidades. Em psicanálise é claro os aspectos operacionais para se tornar consciente - na análise existencial é o espiritual que se torna consciente. Na análise existencial trata a duração humana como algo que não é determinado pó instintos, mas como algo responsável, justamente sobre a existência – espiritual. A religiosidade inconsciente significaria que procuramos sempre, inconscientemente, Deus, portanto que já temos um relacionamento inconsciente com Deus. Contrariamente a isto escreve Sigmund Freud (Áustria, 1856-1936): "A religião é a neurose forçada humana em geral."
De acordo com Frankl, o médico fiel (aqui, psicanalista) deve abrigar um interesse maior para que a religiosidade tenha uma aceitação fortalecida. Há uma religiosidade latente também na pessoa que se manifesta irreligioso. Toda verdadeira religião tem que ser espontânea.

A loucura na neurose forçada (precisão meticulosa com sua consciência hipersensível) é que a pessoa quer ir acima de sua capacidade como criatura. Quanto mais amplo é uma idéia, mais difícil é entende-la. A idéia infinita não é possível ser entendida por um ser finito. Aqui termina a ciência e a sabedoria da palavra, o coração da sabedoria que Blaise Pascal (França, 1623-1662) disse sobre: "O coração tem suas razões que a razão nunca entenderá." Cada situação é um chamado que nós temos que escutar e obedecer. Mesmo em uma situação sem esperança, as pessoas encontram significado.

Emmanuel Swedenborg (Suécia, 1688-1772): o amor e a sabedoria não valem nada se não forem traduzidas em ação. São apenas fantasias e não se tornam reais até terem um proveito. Um pequeno incêndio apaga com a tempestade enquanto um grande incêndio toma grandes proporções por ela, assim enfraquecer uma fraca fé diante as dificuldades e catástrofes, enquanto uma forte fé é fortalecida por elas.

Ludwig Wittgenstein (Alemanha, Áustria, Grã-Bretanha, 1889-1951): "Acreditar em Deus é perceber que a vida tem um propósito."

De acordo com Albert Einstein (Alemanha, 1879-1955) o objetivo da escola é além de despertar talentos inatos e curiosidade no indivíduo como também desenvolver no individuo o senso de responsabilidade para com outras pessoas. Ele criticou a escola que ao invés disso glorifica e cria no indivíduo a mentalidade competitiva, o caso da sociedade existente. O homem deve ser avaliado de acordo com o que ele é capaz de dar ao invés do que é capaz de prover a si mesmo.

O educador brasileiro Paulo Freire (Brasil, 1921-1997) constatou que todas as pessoas oprimidas se tornam opressoras. Quando aceitamos ser oprimidos psicologicamente, oprimo-nos a nós mesmos e como consequência tendemos a oprimir os outros.

Erich Fromm (Alemanha, 1900-1980) procurava integrar a crítica da sociedade de Karl Marx (Alemanha, 1818-1883) com a psicanálise de Sigmund Freud em um misticismo ateu. Tanto no comunismo autoritário como no capitalismo denominado livre executado por uma classe burocrática de políticos profissionais e donos do capital. No fundo os dois tem percepções materialistas, independentemente da ideologia cristã no Ocidente e o conceito de salvação no Oriente. Durante o século XIX o problema foi que Deus está morto, no século XX o problema é que o homem está morto. O perigo do futuro é que o homem vire um robô. Os robôs não se rebelam. Fromm afirma ser preciso descentralizar o trabalho e o órgão estadual para lhes atribuir proporções humanas. No plano econômico precisamos de uma cogestão de todos que trabalham em uma empresa, permitindo sua participação ativa e responsável. A exploração do homem pelo homem deve ser revogada e a economia deve se tornar um agente do desenvolvimento humano. O capital servirá ao trabalho e as coisas têm que servir a vida.

De acordo com o psicanalista Norberto Keppe (Brasil 1927-) o mal é a consequência da negação do bem. O mal não existe por si só, mas precisa do bem para existir. Keppe cunhou alguns conceitos práticos para descrever como o ser humano distorce e nega a realidade, tais como censura, megalomania e perfeccionismo (teomania), inveja e inversão. Keppe escreve: "Se um homem reconhece ter ou ser algo valioso, ele sente o dever de cuidar e progredir isto." Ele continua dizendo que o grande problema do homem não é falta de autoconhecimento, mas seu esforço para evitá-lo. Como o homem na sua essência é bom, ele só vai se sentir realizado se fizer o bem.

Escola de Enfermagem em Halland, Suécia escreve em sua introdução que "O ser humano é bom por natureza, honesto e criativo.”